Fotografia: Colecção Particular (Filipe Faria
Requiem
after
a partir de
K. 626
Filipe Faria
Composition from decomposition
Composição a partir da decomposição
Sonic and photographic essay
Ensaio sonoro e fotográfico
Sete Lágrimas
Partículas
particules
Filipe Faria
Sérgio Peixoto
Decomposição a partir de Mozart
Decomposition after Mozart
brevemente disponível available soon
This is a sonic and visual essay. A Requiem after the Requiem, born of a process of listening, selection and isolation of small particles from Mozart’s final work, interrupted, unfinished... from those silences towards new sounds. A composition from decomposition.
Out of that suspended, transmitted, supplemented matter... particle, surface, breath... hidden rhythm, emptiness, distance... from what still vibrates, resists or reappears. Body after the body... acoustic memory... matter... a collage of layers of linear substances... an exercise...
The matter of 1791 is interrupted matter... suspended, transmitted, supplemented by others... incomplete body, memory, movement... fragment, gesture, trace... Particles of an extreme architecture... signs that remain, falter, return... sounds inscribed in the acoustic memory of things... in silence, in vibration... Requiem after the Requiem... Object, residue and apparition...
And the image, in silver salts, itself fragmentary, apparently fixes photons of an interrupted, recomposed, reinscribed past... Body after the body. Filipe Faria
Este é um ensaio sonoro e visual. Um Requiem depois do Requiem, nascido de um processo de escuta, escolha e isolamento de pequenas partículas da derradeira obra de Mozart, interrompida, inacabada... desses silêncios para novos sons. Uma composição a partir da decomposição.
Dessa matéria suspensa, transmitida, acrescentada... partícula, superfície, respiração... ritmo oculto, vazio, distância... a partir daquilo que ainda vibra, resiste ou reaparece. Corpo depois do corpo... memória acústica... matéria... uma colagem de camadas de substâncias lineares... um exercício...
A matéria de 1791 é matéria interrompida... suspensa, transmitida, acrescentada por outros... corpo incompleto, memória, movimento... fragmento, gesto, vestígio... Partículas de uma arquitectura extrema... sinais que permanecem, falham, regressam... sons inscritos na memória acústica das coisas... no silêncio, na vibração... Requiem depois do Requiem... Objecto, resíduo e aparição..
E a imagem em sais de prata, também ela fragmentária, aparentemente fixa fotões de um passado interrompido, recomposto, reinscrito... Corpo depois do corpo. Filipe Faria
Requiem
Filipe Faria
+ Sete Lágrimas
2026
MU0150
LIVRO + CD
BOOK + CD
Requiem
after
a partir de
Requiem d-moll K. 626
Wolfgang Amadeus Mozart (1756–1791)
01 Introitus
02 Kyrie
Sequentia
03 Dies irae
04 Tuba mirum
05 Rex tremendae
06 Recordare
07. Confutatis
08 Lacrimosa
Offertorium
09 Domine Jesu
10 Hostias
11 Sanctus
12 Benedictus
13 Agnus Dei
14 Communio
Filipe Faria
composition from decomposition
composição a partir da decomposição
sonic essay
ensaio sonoro
Sete Lágrimas
particles
partículas
Filipe Faria
soundscapes, voice, adufe, chalumeau, melodica
paisagens sonoras, voz, adufe, chalumeau,
melódica
Sérgio Peixoto
voice | voz
Miguel Amaral
portuguese guitar | guitarra portuguesa
Tiago Matias
theorbo | teorba
David Faria
double bass | contrabaixo
Filipe Faria + Sérgio Peixoto
decomposition after Mozart
decomposição a partir de Mozart
artistic direction
direcção artística
MU0150 2026 ℗ © Arte das Musas 2026 Ⓛ SPA 2026
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Album available disponível
Book Livro + CD + Streaming platforms
Website
artedasmusas.com/requiem
Tonmeister
Filipe Faria
Assistentes Assistants
Rita Santos, Luís Sequeira
Gravado em Recorded in Idanha-a-Nova / Aveiro, 2026
Edição Edition Arte das Musas
Parcerias Partnerships O Homem – Colectivo
Design gráfico Graphic design Filipe Faria
1ª Edição 1st edition Idanha-a-Nova 2026
ISBN 978-989-36322-5-3
Reservados todos os direitos do produtor fonográfico e do proprietário da obra gravada, proibidos a duplicação, o aluguer, o empréstimo e a utilização da gravação para execução pública e radiodifusão não autorizados. All rights of the phonographic producer and the owner of the recorded work reserved; unauthorised duplication, rental, lending, and use of the recording for public performance or broadcasting are prohibited.
The Requiem in D minor, K. 626, was Wolfgang Amadeus Mozart’s final work. It was left incomplete at the time of his death, in Vienna, on 5 December 1791.
Its history is inseparable from that fragmentary condition. After the composer’s death, Constanze Mozart, or someone acting on her behalf, first passed the score to Joseph Eybler, who added mainly orchestral parts to certain passages. Later, Franz Xaver Süssmayr took responsibility for completing the work. According to the received tradition, Süssmayr completed unfinished sections, orchestrated the movements from Dies irae to Hostias, and adapted music from the opening movements for the final Communion.
The precise extent of the various interventions remains, however, a question within the Requiem’s critical history. The work has come down to us through Mozart’s materials, Eybler’s interventions and Süssmayr’s completion; the relationship between fragment, transmission and completion remains a matter for musicological interpretation. Süssmayr’s completion became the version most widely received historically, while remaining subject to criticism, revision and successive attempts at completion.
The musical character of the Requiem itself is part of this tension. The work belongs to the liturgical tradition of the Mass for the Dead, but its reception soon extended beyond the strictly religious sphere. The fact that it remained unfinished at the time of Mozart’s death made it a work marked by biography, legend, devotion, criticism and reconstruction. Over the centuries, the Requiem has been heard simultaneously as a sacred work, a final fragment, a question of transmission and an incomplete body.
This Requiem arises from that place: from the work as still-unstable matter. From what remains, vibrates, resists or reappears.
A Requiem after the Requiem.
O Requiem em Ré menor, K. 626, foi a última obra de Wolfgang Amadeus Mozart. Ficou incompleto à data da sua morte, em Viena, a 5 de Dezembro de 1791.
A sua história é inseparável dessa condição fragmentária. Depois da morte do compositor, Constanze Mozart, ou alguém agindo em seu nome, entregou primeiro a partitura a Joseph Eybler, que acrescentou sobretudo partes orquestrais em algumas passagens. Mais tarde, Franz Xaver Süssmayr assumiu a conclusão da obra. Segundo a tradição transmitida, Süssmayr completou secções não concluídas, orquestrou os andamentos do Dies irae ao Hostias e adaptou música dos andamentos iniciais para a Communio final.
A extensão exacta das diferentes intervenções continua, no entanto, a pertencer à história crítica do Requiem. A obra chegou-nos através de materiais de Mozart, intervenções de Eybler e da conclusão de Süssmayr; a relação entre fragmento, transmissão e complemento permanece objecto de leitura musicológica. A conclusão de Süssmayr tornou-se a versão historicamente mais difundida, sem deixar de ser objecto de crítica, revisão e sucessivas propostas de conclusão.
O próprio carácter musical do Requiem participa desta tensão. A obra inscreve-se na tradição litúrgica da missa de defuntos, mas a sua recepção ultrapassou cedo o espaço estritamente religioso. O facto de ter ficado inacabada no momento da morte de Mozart fez dela uma obra atravessada por biografia, lenda, devoção, crítica e reconstituição. Ao longo dos séculos, o Requiem foi escutado simultaneamente como obra sacra, fragmento final, problema de transmissão e corpo incompleto.
Este Requiem nasce desse lugar: da obra como matéria ainda instável. Daquilo que permanece, vibra, resiste ou reaparece.
Um Requiem depois do Requiem.
Fotografias
